15/03/2012

somos um grão de areia da margem
eu e você
opostos, esperando
mesmo que incrédulos
o vento que passa e transforma grão em rio.

o vento não me vê.

08/03/2012

Oito de março: um dia de reflexões

Hoje é dia 8 de março de 2012. Aí você me pergunta: e o que eu tenho a ver com isso? Vou lhe contar como toda essa história de Dia Internacional da Mulher começou, então, depois disso, você mesmo poderá me responder.

Em 1857, funcionárias de uma fábrica têxtil de Nova Iorque fizeram uma greve em favor de condições mais humanas de trabalho (que para mulheres era quase escravo) e salários equivalentes aos dos homens que ocupavam os mesmos cargos (as mulheres chegavam a receber um terço do salário de funcionários homens que exerciam a mesma função). Neste dia, os responsáveis pela fábrica trancaram as 130 mulheres que participavam da manifestação e atearam fogo, matando-as incineradas. Quase cem anos depois, essa data passou a ser considerada o Dia Internacional da Mulher, para que essas mulheres e tantas outras, que lutam diariamente pela igualdade dos gêneros, fossem homenageadas.

Infelizmente, para muitos, o sentido dessa comemoração ficou perdido. Hoje é dia de homenagem à luta, não simplesmente obrigação de dar rosas a aquelas que lhe rodeiam. Hoje é dia de reflexão: as diferenças realmente acabaram? Aqui no Brasil, as mulheres recebem cerca de 24% menos do que os homens. Também nos sentimos constantemente ameaçadas pela violência doméstica, abuso sexual e moral. Temos uma presidente mulher, mas as mulheres representam apenas 12% dos cargos políticos; ainda culpamos as vítimas pela violência sexual sofrida (você já deve ter escutado alguém dizer “olha a roupa que ela estava usando, tava pedindo pra ser estuprada”); ainda culpamos as vítimas de violência doméstica por não ter coragem de denunciar seu agressor (também já deve ter escutado “ela não denuncia, deve gostar de apanhar”).

Para quem ainda não sabe, ninguém gosta de apanhar, ninguém pede para ser estuprada, ninguém quer receber menos para exercer o mesmo serviço, ninguém quer ter seu direito de ir e vir vetado por uma maioria ignorante.

Hoje é dia das mulheres, e também dos homens. É dia de todos nós, homens e mulheres, refletirmos sobre aquilo que já foi feito e tudo aquilo que ainda temos que mudar, não só nas leis, mas também na nossa cabeça e no nosso coração. Mulheres não querem ter mais que os homens, querem simplesmente ter os mesmos direitos HUMANOS.

Vamos pensar sobre isso. Essa luta é mais sua do que imagina.

Feliz dia da luta pela igualdade!

06/03/2012

confessionário - relato sobre o pretenso lar

Caminho entre o apego e o desapego. Agora também entre duas cidades.
Ironicamente, eu, que tanto tentei fincar raiz na minha cidade natal, me vejo hoje fincando bandeira em outro lugar. Sair de Taubaté foi uma dor sentida aos poucos, uma escolha cerebral pra alcançar um sonho de alma. Desculpa, estou brega hoje.
Sonho escrever, e para isso, vocês, tantos tão talentosos, devem saber: é necessário tempo. Para se ter tempo, é preciso deixar algumas atividades que o consomem. Aí é que entra a tal escolha cerebral: para buscar meu sonho de alma (brega, de novo), tive que abrir mão de uma carreira que me consumia tempo, e para isso mudei para Lorena, cidade onde fica meu emprego tranquilo de cinco horas diárias. Essa mudança foi sim uma dor ambivalente, sentida ao dar adeus aos meus alunos, e agora à minha cidade, onde moram amigos que tanto amo.
Estou a apenas 45 minutos da minha antiga casa (e um pedágio de R$ 9,60). Um espacinho tão pequeno capaz de mudar meu cotidiano, de me fazer olhar em volta e não encontrar meus amigos, de não reconhecer o nome das ruas. Meus ganhos foram grandes também, a cidade é ainda menor que a minha, estou morando em casa própria com meu amor-comparsa, não carrego trabalho pra casa, tenho tardes e noites livres para estudar. Como já havia dito, mudar é estar entre duas moradas, e pelo jeito, a elas duas pertencer. Sou de Taubaté, sou de Lorena, sou também a linha que une uma Maria a outra. O que preciso agora é conhecer melhor essa Maria inusitada e livre sem esquecer daquela que abraça seus amigos profundamente.